Rafinha diz que aceitaria proposta do Flamengo e lamenta: “Fui vítima de uma guerra política”

Rafinha diz que aceitaria proposta do Flamengo e lamenta: “Fui vítima de uma guerra política”

Foto: Alexandre Vidal/Flamengo

O lateral Rafinha concedeu entrevista ao Seleção SporTV nesta segunda-feira para explicar seu lado na negociação frustrada com o Flamengo. O clube desistiu da contratação do jogador na última sexta, alegando respeito ao orçamento. Para o jogador, porém, a decisão se deu por conta de uma guerra política na diretoria.

– O treinador me queria, o departamento de futebol todo me queria. Os torcedores me queriam. A parte financeira já deixei claro que não era o problema. Vou repetir: flexibilizei o máximo que poderia para receber meu salário em 2022. Claro que eu fui vítima de uma guerra política. Não tenho culpa disso. Podem estar zangados com o Olympiacos, respeito. Tenho muito carinho. Não foi isso que alegaram. Falaram que era parte financeira. Eles têm essa guerra, eu não sabia também. Eu paguei o pato, fiquei 35 dias esperando tomarem decisão e não deu certo. Pula para o outro lado e tinha as pessoas que eu soube que não queriam minha contratação – explicou o lateral-direito.

– É uma coisa que não é normal. Eu sei da situação, sei o que o clube está passando, por isso fiz isso (abriu negociação). Queria voltar para o Flamengo, jogar, deixei a flexibilização para fazerem a proposta para mim que coubesse no orçamento do clube. Foi o que fiz, e eu queria explicar que, da minha parte, eu fiz o que poderia fazer – acrescentou.

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Rafinha procurou não falar sobre valores, mas garantiu que o fato de não ter fechado com o Flamengo nada tem a ver com dinheiro.

– Não seria, de jeito nenhum, o valor que ganhei na primeira passagem. Não tem comparação, afinal abri mão disso também, porque sei da situação, sei como é. O valor seria muito menor do que ganhei na primeira passagem. Todo mundo falando de dinheiro e luvas, o torcedor não sabe a realidade. Eu iria receber bem menos. Eu nem sabia quanto ia receber, porque estava esperando o Flamengo fazer uma proposta. O Flamengo sabe meu valor, o jogador que sou, o que represento. Esperei o Flamengo fazer proposta e claramente eu ia aceitar – disse.

“Independentemente do valor, eu ia aceitar. Eu quero jogar”, completou.

 

Rafinha aproveitou a oportunidade para explicar os motivos que o fizeram sair do Flamengo no ano passado.

– Eu recebi proposta para ganhar três vezes mais do que ganhava no Flamengo. Tem que ser realista. Era uma oportunidade única, com 34 anos, tenho mais quatro anos de carreira. Pensei na minha família. Qualquer jogador na minha posição iria fazer isso também. Sabia do meu prestígio, mas foi uma situação que não podia deixar passar. Eu tinha cláusula no contrato, porque, depois de 15 anos na Alemanha, quem sabia que ia dar tão certo no Flamengo? Caso não desse certo, eu poderia regressar à Europa. Nessa primeira passagem no Flamengo, o departamento de futebol sabe que, se eu tivesse olhado para esse lado, eu não tinha vindo para o Flamengo. Eu abri mão de muita coisa quando vim. Ninguém me questionou em 2019 – explicou ele, que prosseguiu:

“O valor financeiro nunca foi o principal fator, e o departamento de futebol do Flamengo sabe muito bem disso. Faz 30 dias que só estou tomando pancada. E isso não é verdade. Não combina comigo”.

 

Veja outros trechos da entrevista de Rafinha:

 

E agora?
– Eu sou profissional. Todo mundo sabe o carinho que tenho pelo Flamengo. Me tratam como ídolo, eu triunfei aqui, fui campeão aqui. Esse casamento deu certo, ninguém vai apagar essa história. Tenho mais alguns anos no futebol, estou muito bem fisicamente. Tenho muito para dar ainda. A partir de hoje, virei a chave e vou seguir minha vida profissional. Estou me preparando. Meus representantes estão liberados para procurar outra coisa melhor para mim. Não sou nenhum menino mais. Quero ir para um clube que tenha projeção de ser campeão. Quero buscar mais títulos e volta a jogar que é o que mais quero.

 

Volta para o futebol brasileiro?
– Não digo que meu desejo é ficar no Brasil, não. Não negociei com ninguém. Faz 35 dias que eu e meus representantes estavam esperando o Flamengo. Recebi proposta de clubes brasileiros, da MLS, é normal. Mas não queria negociar porque estava esperando o Flamengo se decidir.

 

Fica alguma mágoa?
– Não tenho mágoa de ninguém. Meu trabalho é dentro do campo. Essas pessoas tinham que ficar ligados às atribuições deles, as finanças do clube, a comunicação do clube, eu não tenho que pagar essa conta. Fui usado nessa guerra e acabou não concretizando a minha contratação.

 

– Fiquei um pouco chateado porque se tivesse sido intransigente… Mas uma parte do Flamengo está me bloqueando, estou sendo vetado por pessoas da parte financeira, da comunicação… Se eu fosse vetado pelos torcedores, pelo Leandro, pelo Zico, pelo treinador, eu iria aceitar. Essas pessoas, sim, eu iria respeitar. Agora, por essas pessoas… Me usaram nessa situação para vencer uma guerra deles no clube.

“Eu sou emotivo. Eu estou falando do Flamengo do coração mesmo. Todo mundo sabe o sentimento que tenho pelo Flamengo, e isso nunca vai acabar. Agora é seguir a vida”.

 

Liderança e discussão sobre premiação no Mundial atrapalharam?
– Esse é um fator que, no meu pensamento, é um dos principais. Todo mundo sabe o que eu fazia no clube. Essas coisas chegam nas pessoas. No Mundial teve esse problema, mas de forma alguma a gente quer atrapalhar. Minha família é muito simples. Eu queria ajudar. Logo, naquele momento, apareceram problemas, e a gente queria resolver. Eu sei que chegou até essas pessoas. A gente tem que pensar no Flamengo, porque é bom para o Flamengo. Sei que essas coisas pesam nessa hora, porque minha liderança é muito forte. Eles sabem que, voltando para o Flamengo, o departamento de futebol ia ficar muito forte. Essa é a verdade. Quem perde não sou eu, é o Flamengo, porque a gente está ali para ajudar. Esse momento agora também tem um pouquinho de mágoa de trás, por eu ter saído, ter comprado situações que não eram minhas, ficou um arranhãozinho, sim.

 

Relação com departamento de futebol
– Tenho que agradecer muito ao Braz e ao Spindel e a todo o departamento de futebol, que desde o início demonstraram toda a vontade de brigar e costurar minha volta. Fizeram de tudo que poderia ser feito. Nós conversamos com eles, o Lincoln sentou com eles umas 30 vezes. Eles brigaram por mim. Recebi a mensagem de que você não está sendo contratado agora por outras situações. Financeiramente, não é o problema. A gente tem que respeitar. O Flamengo tem a Gávea, o departamento de futebol, o departamento financeiro, e foi decidido desta forma.
Fonte: Globoesporte.com/sportv
Por Redação do ge — Rio de Janeiro

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